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Mulher. Artista. E brasileira ? Parte I

14 de junho 2007 , por Lais Orrico , 5 Comentários

Eu quero chegar aos 92 anos com muita história pra contar.
Por exemplo… imaginem se eu tivesse:
- nascido no interior de Minas Gerais;
- vivido entre São Paulo e Paris;
- casado aos 16 anos com um comunista;
- convivido com intelectuais de esquerda nos anos 40 e 50;
- participado de manifestações estudantis em 1968;
- começado a produzir minha arte de maneira autodidata;
- e exposto meu trabalho em quatro bienais de São Paulo e na Mostra do Redescobrimento.

Eu não fiz nada disso, mas “conheço” quem fez: Niobe Xandó.
Pioneira do realismo fantástico brasileiro, Niobe sempre foi livre demais para ser vinculada a algum movimento artístico. Silenciosa e reflexiva nas suas criações, como Midas transformou tudo o que tocou em arte.
Pinturas, colagem, guache, óleo, acrílico, spray, escultura, serigrafias e nanquins.


?Muita gente diz que meus trabalhos têm um pouco de africano, de indígena, de candomblé? ? disse Niobe, em entrevista em 1969 e 1978: ?Penso que sou uma primitiva de alma. (?) A variação da técnica na minha arte não é uma questão de fase, mas sim de estado de espírito que vem e vai. (?) Quando sinto a angústia diante do barro, então refugio-me no óleo, pinto quase com as mãos, é com a terra que estou lidando, fico quase em transe, amasso barro, imaginando-me no mato, de pés na terra, realizando meus trabalhos com os elementos da própria natureza. Sinto tudo como uma coisa só: eu, a tela, a tinta, um mundo selvagem que nos envolve. Estou só, muito longe, criando, procurando no barro algo muito anterior à minha mãe. Daí o calor que sinto emanar do óleo e sua textura.?


Intensa.
Em cinco décadas, a trajetória de Niobe Xandó foi intensa; e produtiva.
Com respeito e maestria, como quem cuida de uma criança feliz, Antonio Carlos Abdalla – curador da atual exposição de Niobe – conseguiu com simplicidade e tato reunir e organizar mais de cem obras da artista em 13 núcleos.
Temas como natureza, culturas primitivas e elementos gráficos são transformados no universo da artista e parecem passar por uma alquimia única.
As incursões figurativas cotidianas, a partir de 1947, são seguidas pela fase de flores (1956-1965) no início de uma caminhada pela economia de traços e formas, processo que também acontece quando pinta máscaras e bonecos; e se revela impressionante na produção de meados da década de 60 até 1980, fase em que Niobe se aproxima do letrismo.

Pensando bem, eu queria mesmo é ouvir as histórias dela.

Niobe Xandó: A Arte de Subverter a Ordem das Coisas
Até 24 de junho 2007
Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 – t. 11 3229.9844
De terça a domingo, das 10h às 18h. R$ 4. Grátis aos sábados.


veja!

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Publicado em 14 de junho 2007 às 1:28 PM na categoria Cultura. Você pode acompanhar as respostas a este post através de nosso feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou colocar um trackback no seu site.

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