Mulher. Artista. E brasileira ? Parte II
10 de julho 2007 , por Lais Orrico , 2 ComentáriosNão é bairrismo não!
Adriana Varejão é mesmo uma das artistas brasileiras de mais destaque na cena contemporânea. Aqui e lá fora.
Sim, ela é carioca, frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, e fez sua primeira exposição individual aos 24 anos, na galeria Thomas Cohn, em São Paulo.
Desde então… ih…. histórico extenso….
* Bienal de São Paulo, em 1994 e 1998;
* Bienal de Havana, em 1994
* Bienal de Johannesburgo, em 1995
* Bienal de Liverpool, em 1999
* Bienal de Sydney, em 2000
* Mostra coletiva UltraBaroque – EUA, 2000-2002
* Mostra coletiva TransCulture – Veneza; Tokio, 1995
* Mostra coletiva New Histories – ICA, Boston, 1996
* Mostra coletiva Mapping – MoMA-NY, 1994
* Individual na galeria Victoria Miro, em Londres e na Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo e no MoMA-NY
* E peça adquirida pela Tate Modern, de Londres, por US$ 40 mil.
Apesar disso, eu só a conheci há uns dois anos atrás.
E fui lendo, ouvindo, vendo imagens dos seus trabalhos e tentando entendê-los.
Até uma tarde de sábado de sol, no Rio, quando resolvi matar saudades do MAM. Bilheteria de um lado, livrinhos deliciosos de outro. Roleta. Uma escada. 10 passos e meu programinha casual virou uma luta baixa. Primeiro golpe: soco no estomago.
Devia ter mais de três metros de altura. Daquela parede de azulejos no canto do enorme salão branco pendiam carnes, vermelhas, sangrentas.
Mais 10 passos e um tapa na cara.
De perto a carne era mais vermelha, mais redondilhada e os azulejos mais azuis.
Dois passos para o lado, um piscar de olhos e eu entendi que estava diante de Adriana Varejão.
“Sua obra reproduz elementos históricos e culturais, com temas ligados à colonização, ao barroco e à azulejaria. Investiga também a utilização do corpo humano, da visceralidade e da representação da carne como elemento estético. Apesar de remeter ao barroco, adquire forte contemporaneidade em decorrência do acúmulo excessivo de materiais, camadas de tinta e informações.
A densidade simbólica de Adriana Varejão é tanta que escandaliza os espectadores, mas ao mesmo tempo é responsável pela conquista de admiração e respeito cada vez maiores nos cenários internacionais da arte.”
É o que dizem.
Eu não tenho palavras.
Pra mim Adriana Varejão é mesmo uma das artistas brasileiras de mais destaque na cena contemporânea. E ponto.



Momento “pop”: a coleção verão 2007/08 da moda praia de Lenny Niemeyer tiveram referência nos azulejos trabalhados de Adriana Varejão. E como nem só de inspiração se faz um biquini, os azulejos feitos estão efetivamente aplicados nas peças, após serem quebrados, afinados e polidos.
RSS Papo Calcinha


Você é um talento e tanto. Li, recentemente, o romance Amor Vário, de André Resende. Em uma palestra dele no começo de 2007 em São Paulo ouvi ele dizer que seria bom ter um conto dele pintado por você. Quando li Amor Vário, disse: ai, ele sabe o que está dizendo. Parabéns!
Será que ela era amiga do Athos Bulcão também artista que desenhou azulejos? Adooooro ele! http://www.fundathos.org.br/