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do Japão ao coração

24 de abril 2008 , por Lais Orrico , 1 comentário

de acordo com a Wikipedia, o “Haicai (Haiku ou Haikai) é um forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade.”

Matsuô Bashô (1644-1694) foi um monge Zen e o mais tradicional poeta deste estilo que aperfeiçoou o estilo e divulgou suas obras no final do século XVII.
segundo Harold G. Henderson, em Haiku in English, o haicai clássico japonês obedece a quatro regras:

:: são 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas
:: contém alguma referência à natureza ou estação do ano
:: refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)
:: apresenta tal evento como “acontecendo agora”, e não no passado.


na hora de jogar isso para outros países, algumas regras se perderam ou foram alteradas mesmo. aqui no Brasil, o primeiro autor a popularizar o haicai foi Guilherme de Almeida, que mudou as regras do jogo para que o primeiro verso rime com o terceiro e o segundo verso possua uma rima interna (a 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba).

Paulo Leminski, Millôr Fernandes e Alice Ruiz são autores brasileiros que não julgam necessárias a métrica nem a referência à estação do ano.

tudo muito complexo?
um pouco.
mas isso tudo é só pra explicar meu inferno astral e minha adoração atual (tks marinha) por dois haicais:

Vazio agudo
ando meio
cheio de tudo
.

&

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Publicado em 24 de abril 2008 às 7:56 PM na categoria Cultura, arte, conselho de graça. Você pode acompanhar as respostas a este post através de nosso feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou colocar um trackback no seu site.

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