Sobre Ronaldo

13 de Novembro, 2008, Comente »

A Gabi comentou e eu estava distante demais do blog para repercutir:

# Gabi, 8 de Setembro, 2008 às 16:33 disse:

O pior de tudo é ler este post 4 meses depois e saber que tudo caiu no esquecimento. A vida voltou ao normal, a noiva voltou pra ele, o Brasil continua idolatrando Ronaldo etc. Talvez nossos idolos não merecem nosso respeito, quem dirá nossos aplausos!

Ela tem razão!!!
A vida é de gente maluca, né?
A mulher voltou mesmo! Voltou grávida! Ficou tirando fotos nas férias, no iate de biquini maravilhoso, canga nova e óculos enormes…
Impressionante o que é a diversificação do ser-humano!

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Não é esporte

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Eu ainda vou achar…

13 de Novembro, 2008, Comente »

Deve estar lá em casa. Foi o texto mais lindo que eu já vi.

Vou procurar com cuidado e perder um tempinho transcrevendo! Vai ser um prazer!! Eu gosto muito de ler aquilo e me emociono a cada vez.

Já li em voz alta para o meu pai, para a minha mãe e para o meu namorado. Poucas pessoas têm paciência para escutar um texto lido hoje em dia… É claro, que eu poderia ter emprestado a revista. Mas aquela emoção era minha. Eu queria muito que todos sentissem o que eu senti. E precisava ver as expressões de cada um, ao proferir cada palavra.

Era sobre o Maradona. Uma mulher argentina, senhora, mãe de família, nenhum conhecimento, nenhuma intimidade com futebol. E uma devoção incrível pelo jogador, que ela classificava como boca-suja.

O texto é creditado a blog dessa mulher, que escreveu quando Maradona definhava no hospital. Todo mundo ficou em alerta pela gravidade do quadro médico, mas os argentinos entraram em desespero. Ela (a mulher do texto lindo) acendia velas. Não porque gostasse de Diego, mas porque a palavra do marido era lei naquela casa. Por isso, se o marido dissesse que há de acender três velas, ela acenderia.

Devia muita coisa ao Maradona. Porque teve um tempo em que não tinha comida na mesa da casa dela. Foi o tempo de Maradona campeão do mundo. E graças a ele, toda a família, quando perguntada sobre aqueles anos, diz que foram ótimos, lindos, os melhores da vida deles. Se lembram do título de 86, esquecem que passaram fome.

Texto simples e delicado, de uma mulher apaixonada não pelo homem, mas pelos efeitos dos atos dele. Chorou no episódio da efedrina - porque era mesmo momento pra chorar. E o Marcos Caetano nos brindou com a reprodução dessa obra-prima, na revista Invicto.

Vou achar e dividir com vocês. É fácil entender, depois de ler, porque botaram Maradona como técnico… Era preciso amor pela nação. Só ele desperta tudo isso.

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Ídolo

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Timão Subiu!!!

6 de Novembro, 2008, 1 comentário

Eu escrevi tanto sobre o rebaixamento, que nem sei direito como tratar a volta à primeira divisão. É aquela festa que você não queria ter que fazer, dá pra entender??

Realmente não dá…

E, como eu não conseguia explicar, pedi ajuda.

E ajudaram!

Segundo meu chefe, é mais ou menos, quando seu primo sai da cadeia e você faz um churrasco para comemorar. Você compra a carne, compra bebida, convida o pessoal, prepara tudo direitinho. Mas quando alguém pergunta o motivo da festa, dá uma vergonha…

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

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Velejar é preciso

4 de Maio, 2008, 2 comentários

Fui para a corrida dos 10km, sem nunca ter corrido 10km.

Era um desafio pessoal. Uma aposta de mim, comigo mesma. Um momento que só dependia de quanto impacto minhas pernas resistiriam no asfalto. Treinei mal. Relaxei. Não tive uma semana de empenho. Fui pra largada pensando em uma coisa e pisei na linha de chegada com conclusões totalmente diferentes.

Uma corrida é como a vida. Você até acha que está no controle, mas as variáveis é que determinam seu ritmo, seu percurso e como é que você vai chegar ao final. E enquanto eu pensava na minha própria resistência, ia “conhecendo” pessoas pelo caminho.

- Um senhor explicava ao garoto que, hoje em dia, é importante prestar muita atenção. Os travecos estão evoluídos. É muito fácil confundir…

- Escutava uma conversa qualquer e discordava dos dois caras que corriam com uma camisa da Marinha. Quando eles me ultrapassaram, percebi que não importava o que eles dissessem. Um deles estava, visivelmente, em recuperação de algum problema físico grave. E corria para provar para ele e para mim que estava no jogo.

- O tiozinho da Quinta da Boa Vista voou. A menina com porte de modelo também. As tiazinhas de Furnas se uniram e correram em equipe. O casal de mais de quase 50 só faltou correr de mãos dadas. E teve o Alexandre. Pernas tortas, excesso de peso e uma torcida só pra ele… Tiraram fotos. A namorada e a melhor amiga voltaram um quilômetro para puxá-lo. Tinha gente passando para incentivá-lo. Até eu entrei na festa dele…

Como esses, muitos outros passaram pela minha corrida. Cada um corre como vive. Tem gente que tem ritmo. Tem gente que força no início e não chega nunca. Tem gente que puxa os outros. Tem gente que treina direito. Tem gente que só quer chegar. Tem os que cortam caminho. Tem os que já têm biótipo privilegiado. Tem os que precisam se esforçar mais…

E naqueles 10km, eu fui aprendendo muito sobre como coordenar isso. Sobre como definir qual era o meu caminho. Alguém me disse para ficar nas beiradas, assim você sairia em muitas fotos. Nem me lembrei disso. Muitas vezes me flagrei no centro, seguindo a linha branca que dividia as pistas no asfalto. Sem holofotes.

Lá pelo quinto quilômetro, tirei os óculos. No sexto, tirei o boné. No nono, tirei a camisa. Quanto menos tralha arrastar pelo caminho, melhor…

Também pensei que estava sendo ultrapassada por muito mais gente, do que ultrapassando. Mas desisti de ver nisso um problema.

Fiz um amigo. Ele tinha passado o mês anterior internado, com dengue, e acabava de voltar a correr. Segurei o meu ritmo e fiz boa parte da metade do percurso final com ele. Não havia nenhum problema se isso ia piorar o meu tempo. Eu não queria fazer nenhum tempo.

Não estava competindo. Estava velejando. É assim que a gente tem que passar pela vida… É assim que a gente deve escolher viver. Não adianta chegar a qualquer custo. É o que você fez no percurso que importa. E numa corrida, como na vida, não vale muito se você chega sozinho. Eu queria chegar… mas não de qualquer jeito.

Tempo: 1h06min45seg

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Maratona

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Ê, Ronaldo…

2 de Maio, 2008, 7 comentários

Ele só é atleta porque apareceu para o mundo assim. Há muito tempo que Ronaldo é, no máximo, personalidade. Não tem mais corpo de atleta. Não joga mais futebol. Não ganha mais títulos. Não aparece em campo. Não disputa prêmios importantes. Só aparece na mídia quando dá vexame.

Fiquei pensando que ele teve mais oportunidades que os seres normais. E que ele fez de tudo pra gente achar que ele é errado, mas que – por estar no nosso coração – sempre ganhou mais uma, mais duas, mais três, mais dezoito chances… Quem aparece na nossa vida aos 16 anos parece que é só um garoto pra sempre. E tudo o que ele faz soa somente como mais uma molecagem.

Foi assim quando ele foi pra Holanda magricelinho e reapareceu enooorme, musculoso, muitos quilos mais forte… Foi assim em todos os estouros de joelho e em todas as aventuras e maluquices que ele fazia, quando tinha períodos de instabilidade física. Em todas as farras na Europa e no Brasil. Em todas as festas absurdas, em que ele e os amigos ostentavam riqueza, fama e status.

Também toleramos todas as sacanagens com namoradas. Ele era muito jovem quando mandou a Suzana Werner pro Brasil e, antes mesmo de finalizar o relacionamento com ela, anunciou que se casaria com a Milene e teria um filho com ela. E achamos quase normal que a Milene voltasse ao Brasil – depois de um filho e um aborto – sem muita explicação, sem muita consideração, sem nenhuma declaração de afeto ao ex-marido – e vice-versa. Todo mundo achou bonito quando ele se apaixonou pela Daniela Cicarelli, fez tatuagens, marcou casamento de princesa e levou a moça pra Milão. Todo mundo achou que ela era maluca quando, poucos meses depois, fez escândalo, quebrou objetos, arrumou as malas e voltou para o Brasil. Chorou em público. Beijou outro na frente dos fotógrafos. E declarou na Playboy que tinha sido chifrada. Mesmo assim, achamos que o Ronaldo tinha só sido mal interpretado. Até a Maitê (nossa querida Maitê, mulher, feminista, linda, autêntica) defendeu o Fenômeno na coluna da Época… A gente deu razão pra ele, até quando terminou com a Raica por e-mail. Até quando foi pra balada no meio da Copa América. Até quando caiu na night carioca com a camisa do Mengão.

Dessa vez, não teve Jornal Nacional que poupasse. Não sei se alguém ainda vai achar uma molecagem… Na melhor das hipóteses ele, noivo, contratou três prostitutas para se divertir num motelzinho de quinta no Rio de Janeiro. Sendo quase santo, ele estava disposto a pagar três mil reais por uma orgia numa manhã de segunda-feira. Eram travecos! Tinha droga! Teve porrada! Teve suborno! Teve delegacia! Teve ligação do governador! Teve escândalo! Teve exposição! Teve fuga, refúgio, proteção e maus tratos. Teve desvio da justiça. Teve defesa do delegado. Teve um monte de coisa horrorosa! E um monte de gente que ainda acha que o nosso querido Ronaldo foi vítima de um golpe… Pelo menos a noiva terminou com ele – e pode ser criticada por largá-lo em um momento ruim!

Me espanta o quanto nosso coração é mole!

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Não é esporte

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Ele era um herói

27 de Março, 2008, 3 comentários

Quando me perguntam quem é o melhor jogador de futebol do mundo, eu não penso nenhum segundo antes de responder: Neto. Não há dúvidas. Mas se tivesse nascido alguns anos antes, certamente diria Casagrande. Ainda é difícil dizer que alguém é grande sem ter visto com os olhos nus. Os relatos são incríveis. Os vt’s são deliciosos. Mas meus olhos viram Neto. E a ele devo tanto, que pago com essa resposta.

Mas até Neto perdoaria se eu mudasse o nome. Porque é certo que até Neto acha que o Casão está entre os maiores. No topo da lista de muitos. No coração de uma infinidade de pessoas.

Casagrande é grande pelo futebol, mas não só por isso. Casagrande é grande fora de campo também.

Um dia, de dentro de um ônibus em Alphaville, eu o vi do lado de fora, em um posto de gasolina, com o celular na orelha, falando. De shorts, camiseta, tênis e meia. Enquanto lavavam o carro dele, Casão batia papo. Conversava e dava voltas ao redor de si mesmo. Parecia livre. Da janelinha, pensei que se tivesse que escolher alguém para ser na vida, escolheria ter na identidade o nome de Walter Casagrande Jr.

Errei. Conhecia o mito. Conhecia a figura. Conhecia o que tinha por fora. O garoto que deu alegrias imensuráveis para a nação corintiana e que desafia Roberto Carlos para ter também um milhão de amigos, não era legal com ele mesmo. O cidadão que brincava naquele posto de gasolina era gentil com todo mundo, mas profundamente injusto com ele mesmo.

A Placar deste mês conta o drama. Uma vida enfurnada nas drogas, no álcool, na indisciplina e no sofrimento. A mulher não agüentou. Os filhos cresceram sem ele. As internações foram muitas – tantas quantas as recaídas. Casão era um deus, que escolheu o inferno para morar. E apesar da bondade nata, da sutileza, da gentileza e do amor, vivia cercado de pobreza, de tristeza, e de dor.

Se eu ainda quero ser o Casagrande? Só um motivo me faz, talvez, manter esse desejo. Queria ser Casagrande para fazer da vida dele o conto de fadas que ele fez para nós. Queria que ele sentisse o que os 30 milhões de corintianos tiveram quando ele vestiu a camisa do Timão. Alegria plena. Vontade de voar. Desejo profundo de viver para sempre.

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Ídolo

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Futebol - na prática

27 de Fevereiro, 2008, 2 comentários

O Felipe não gosta de futebol.

Fui encontrar logo o único homem do país que não se importa, que não reserva as quartas à noite nem os domingos à tarde para ficar na frente da tv. Que não se programa para ir ao Maracanã no sábado. Que não entra fissurado em loja de esportes, procurando a camisa número três do Schalke 04.

Mas eu gosto! E gosto de estar nos lugares. Gosto de ver as coisas acontecendo. Gosto de ver a história ser escrita.

Por isso, combinamos um Maracanã, final de Taça Guanabara, no domingo à tarde. E como não gosta (mas também não detesta), Felipe, gentil, foi para o que já foi o maior estádio do mundo, debaixo de nuvens negras e com a certeza de chuva.

Trânsito inevitável para chegar ao estádio. Perrengues previsíveis para (não) conseguir pegar ingresso. Calças improvisadas para entrar pela imprensa. Primeiro tempo perdido…

Ficamos na tribuna, com um vidro nos protegendo da chuva e ar condicionado, garantindo algum conforto. Sem cadeiras (não era cinema, era estádio, lembra?).

Foi tudo bem!!

Na segunda, depois do cinema, Felipe me contou que achava que todos os problemas de comunicação eram resolvidos, quando você fala inglês. Mas que naquele dia, tinha engatado uma conversa de 10 minutos com uma pessoa que jamais pensou ter nada para falar. Perguntou sobre o Botafogo e conversaram por 10 minutos. Descobriu que o futebol é que é a língua universal.

Não gostar de futebol está longe de ser defeito. O que encanta são as descobertas… Eu, que sempre achei que soubesse mais do que ele sobre o esporte, não sabia que uma única ida ao Maracanã trouxesse tanto aprendizado. Felipe me ensinou que futebol vai além das quatro linhas. E que não vale muito o conhecimento do jogo. Importa mesmo é como você pratica… sem chuteiras nem escudos.

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Futebol

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Corra, Michele, Corra!!

14 de Janeiro, 2008, 4 comentários

Corri a primeira corrida oficial da minha vida. Muito bom, viu!! Percurso do Leblon ao Lema: 8km.

Sabe quantas vezes eu tinha corrido 8km? Nunca!! Fiquei tensa! Achei que poderia não terminar o percurso. Achei que ia dar vexame. Que ia ter que andar um pedaço. Fiz esquemas mentais de como caminhar em alguns trechos e chegar correndo para enganar o pessoal.

Coloquei a camisetinha laranja e botei o pé (com chip) no tapete que começa a contar o tempo. Durante o percurso, fui me sentindo como os quenianos, na São Silvestre e, para a impressão ficar mais real, me integrei a pelotões. Foram vários:

1º pelotão: André Henning (uma maratona no currículo), Patrick (“dou uma volta na Lagoa – 7,5km – todo dia), Tia Ângela (10km em 55 min), Milena (treinou com a Tia Ângela nas duas últimas semanas).
Me desintegrei deles logo no início. Não queria forçar o ritmo nem ter que abandonar perto de gente conhecida.

2º pelotão: Tiozão, barrigudão, de bermudão vermelho.
Bom ritmo. Aparência agradável. Nenhuma palavra. Seria mau amigo fácil! Quase não respirava, pra não gastar energia. Primeiro quilômetro fizemos em 7 minutos. Depois, ele reduziu o ritmo e eu não pude mais ficar lá. Ia começar a andar sem nem ter me cansado. Preciso controlar a minha solidariedade. Fugi.

3º pelotão: Dois paraíbas, duas moças gordas, uma velha magra, um treinador de uma japa.
Fizemos aquele grupinho dos quenianos, sabe? Foi bem emocionante. A gente ia no mesmo ritmo, com expressões de apoio e confiança. A japa parou no caminho e o treinador dela ficou tentando convencê-la a correr um pouco mais. Enquanto ela pingava, ele dizia que o ritmo estava bom, que ela devia continuar. E ela fazia cara de: “tá sentindo o que eu estou sentindo?? Então fica na sua…”.
Abandonei o pelotão, quando vi que, um pouco atrás vinha um Loirão-bonitão-gostosão.

4º pelotão: Loirão-bonitão-gostosão.
Comecei a fazer pose de Fernanda Keller. O cara tinha a maior pose do mundo. Pernão, bermudão, bração, oculosão, rostão bonitão, bonezão. Era tudo muuuuuuuuuuuito aumentativo. Pegamos água romanticamente juntos, até que reparei que estava sozinha. Ele abandonou o nosso pelotão, quando acelerou para formar outro pelotão com uma loirona-bonitona-gostosona.

5º pelotão: Homem com shorts transparente e cueca atuchada.
Juro que só fiquei perto dele porque minha indignação me travou. O que significava aquilo? Por um instante, achei que fosse alguma estratégia para melhorar a resistência, ou algo assim. Tem cada doido…

6º pelotão: Tiazinha que queria desistir.
Estou lá, pensando em quanto eu sou resistente e forte e que só faltavam 2km e que eu estava inteira. Pronta pra acelerar rumo à linha de chegada, quando ouço: “Parei”. Olhei indignada pra mulher e falei: “Parou nada!! Pode continuar a correr… Eu vou ir mais devagar pra ir com vc!” Achei que, em uma corrida, solidariedade é o mais importante. Os 30 segundos que me prenderam mais lenta, perto dela, não mudariam a minha vida, mas poderiam ajudá-la muito. Desisti de acelerar e fiquei lá, devagarzinho, no ritmo da tia, puxando a mulher. Quando achei que estava já garantindo uma parede inteira no céu, ela parou de novo… Combinamos que ela andaria até o sétimo quilômetro, mas que chegaria correndo. E segui…

7º pelotão: Arrastão!
Não tive pelotão. Fiquei furiosa por estar toda inteira, faltando tão pouco para o fim da prova. Comecei a correr, a correr, a correr… A ultrapassar todo mundo. A deixar um monte de gente pra trás. Ficou tia, ficou tio. Ficou moça bonita, ficaram meninos bem novos. Ficaram grupos inteiros. Ficaram pessoas andando e outras correndo. E eu ia passando. Parecia que era um filme e que eu ia deixando todo mundo pra trás. Naquele instante, achava que ia subir no pódio, que ultrapassaria todo o universo, se eu quisesse. Muito boa a sensação de ser forte e poder dominar seu ritmo, seu corpo, sua vida…

Seguem os dados reais dessa corrida que, pra mim, foi muito mais que esporte:

Nome: MICHELE CHALUPPE
Sexo: F
Categoria/Faixa: F2529
Nº de peito: 1945
Colocação geral: 1889º
Colocação por sexo: 489º
Colocação por categoria/faixa: 70º
Tempo geral: 00:56:46
Tempo líquido: 00:54:38
Pace médio: 00:06:50

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Maratona

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Meu coração não tem divisão

7 de Dezembro, 2007, 3 comentários

Demorei cinco dias para conseguir escrever sobre o assunto. Só hoje baixou a febre. Ainda não consigo comer direito. A dor é um negócio que nunca vai passar. E, como diz um corintiano por aí, a vontade é de ficar surdo e mudo por um ano.

Os danos são incalculáveis e só faz quatro dias.

Ainda estou na fase egoísta. É que a minha dor é tão grande, que é duro demais imaginar que isto esteja acontecendo também com outras 30 milhões de pessoas. Meu sofrimento individual me basta nesse momento. E saber que tem mais gente na mesma situação só piora tudo. De vez em quando, ainda escorre uma lágrima ou outra. Nada grave. É só quando a realidade insiste em cutucar o coração e, aí, os olhos se manifestam sem que a gente autorize. Uma coisa realmente muito chata, porque não é simples explicar. As outras pessoas não entendem o que acontece e acham até que você é babaca.

Uma vez tive uma dor de cabeça tão profunda, que tinha certeza que era impossível sentir dor maior. Estava errada. Dor de amor, então… Sabe aquela dor que abre o peito, arranca o coração pra fora, pisa em cima e devolve pro seu corpo todo desmilingüido?? Não passa nem perto. Já teve dor de medo? Medo de perder alguém importante. Medo de ser pega na pior situação da Terra. Medo de ter aquela merda revelada… Já fui demitida também de um emprego que eu amava. E doeu, viu! Ninguém que teve participação nisso (porque me recontrataram dois dias depois, dizendo que foi um equívoco) pode imaginar o que causou em mim. Hoje, perdôo todos eles, sabendo que dos males, vivi o menor.

Ainda não estou 100%. Talvez nunca volte a ser a mesma. Perdi dois quilos. Mas essa foi a menor perda. Acho que já é hora de pensar no próximo passo, que é de união. Porque não existe corintiano sozinho. A gente pode tentar, mas é quase impossível não encontrar pares onde quer que esteja. E é só quando a gente olha aquele mar de gente torcendo pela mesma coisa, acreditando no mesmo escudo, defendendo as mesmas cores que você volta a ser feliz. Quando você olha pra camisa, olha para o que representam onze jogadores em campo, o coração enche de uma energia quente, que domina o corpo inteiro e dá um conforto quase impossível de explicar.

Só quando você nasce corintiano é que consegue ver razão nesse tipo de sensação. É que entende a peregrinação de milhões de pessoas por todos os estádios brasileiros para empurrar um time que – não por culpa deles – mal consegue resistir noventa minutos em campo. Porque a nossa obrigação é colocar nosso time – seja qual for – pra frente. E quando cada um entende a sua função, as coisas ficam mais simples. Vamos lá… Nos estádios mais escondidos, nas arquibancadas mais desconfortáveis, sem água gelada, sem transporte fácil, ouvindo acusações, sacanagens e toda a sorte de canalhices que nos é inevitável escutar.

Dois mil e oito vai ser difícil. Mas que ano foi fácil? Nossa missão é sempre a mesma! Nosso coração não tem divisão!!

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

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Toquinho…

3 de Dezembro, 2007, Comente »

Eu já era apaixonada por ele.
Agora, Toquinho me ajuda a engolir a dor do Rebaixamento, num texto lindo!
O Globo Esporte cobriu os sentimentos dele com as imagens da nossa Fiel. Tá aqui!!

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM761597-7824-TOQUINHO+LAMENTA+O+REBAIXAMENTO+DO+CORINTHIANS,00.html

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

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