1 de Agosto, 2008, 8 comentários
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o Papo Calcinha é uma reunião de amigas. lindas, inteligentes e sexies. rs…
por isso o post de hoje é de autoria de uma amiga querida, convidada (por enquanto) absoluta e jornalista competente. e carioca, claro!
espero que gostem tanto quanto eu.
Lais Orrico
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(por Camila Barcellos)
Para a casa dele. De mala e cuia, cafeteira italiana, seus livros preferidos, alguns porta-retratos sem os quais seus dias não seriam os mesmos… Trouxe inclusive um quadro de 60×80cm. Afinal… Tinham 01 mês de namoro!
Na primeira semana, ela havia comprado tinta para mudar a cor da parede do escritório, “laranja é ótimo para ambientes de trabalho”; trocado o mural dele pelo quadro, pois a luminosidade era mais adequada; feito uma lista de tudo o que faltava na dispensa e que ela gostava e me recebido com: “que ótimo te ter aqui em casa”.
Gargalhei. Não dela, mas de mim. Eu jamais conseguiria com tão pouco tempo de relacionamento - mesmo no auge da paixão e de toda sua deliciosa “irracionalidade” - dizer “minha casa”, me sentir tão “em casa”, por mais maravilhoso e receptivo que ele fosse, por mais bilhetinhos que deixasse espalhados dizendo: “seja bem-vinda a nossa casa!”. Por mais que antes tivéssemos sido amigos por alguns anos. Obviamente, não seria uma chata, negando ou recusando tamanha demonstração de amor e bem querer… Mas, confesso! Enquanto eu pudesse, evitaria frases com o pronome possessivo da primeira pessoa do plural. Por algum tempo me sentiria uma intrusa. Complexo de inferioridade? De superioridade? Horror à idéia de ter meu espaço invadido? Pânico em cogitar invadir o do outro? Achei que um bom café e umas sessões de terapia talvez me fizessem bem!
Na verdade, só precisei do café. A resposta às minhas perguntas estava clara: Ela não tem medo de errar! Leia-se: ela sabe o que quer. Sabe que tudo é possível. Acertos e tropeços. Mas, antes de considerar o erro, prioriza sua capacidade em fazer dar certo. Foca no que quer e seus ouvidos simplesmente não entendem “conselhos” de quem já passou por isso. Afinal, esse “isso” é dela. É único! Ninguém nunca o viveu.
Sem pensar em ser ridícula ou fantástica, perfeita ou humana, apenas ser em toda sua essência comprometida com o seu amar… Aceitar o que o outro lhe estende com as duas mãos e de peito aberto… É tarefa para quem não tem medo de flores, cores, nem amores…
Assunto: Vida nova, Bom conselho, coisas de mulherzinha, Tudo
7 de Julho, 2008, 8 comentários
(texto de Ailin Aleixo retirado - literalmente - de uma revista e digitado aqui em uma homenagem à dicotomia feminina e a nossa busca de explicação para tudo)
Só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta?
Eu realmente acreditava que o que me fazia amar um homem era a inteligência. Elucubrações e digressões me impressionavam. Conhecimentos literários, artísticos, práticos seduziam a eterna adolescente em mim. Mas descobri que não era isso que me fazia amar: de nada adianta um cérebro invejável, citações brilhantes, se ele não rir das próprias besteiras, se não souber aproveitar as delícias do ócio de um sábado quente. Então percebi: bom humor era essencial.
É delicioso estar com alguém que vive sem arrastar correntes e faz dos pequenos horrores cotidianos inevitáveis piadas. Só que nem tudo é uma piada e, em certas horas, quero alguém que me conforte a alma. Nesses momentos, nada pior do que ser levada na brincadeira - existe uma imensa diferença entre a alegria de viver e a recusa a sair da infância. Então fui invadida pela certeza de que o que me fazia amar alguém era, antes de tudo, a sensibilidade.
Telefonemas de bom-dia, olhares que vêem, pequenos gestos incontidos - tudo o que eu podia querer. Ou quase. Só sobrevive ao meu lado alguém que grite comigo quando eu passar dos limites do bom senso, demonstre desagrado quando eu exigir demais e oferecer de menos. Preciso ser cuidada, mas preciso da certeza de estar com um homem de verdade e não com um moleque preso no complexo de Peter Pan. Quero ser domada, tomada.
Nem inteligência, bom humor ou sensibilidade me faziam amar alguém. Talvez fosse virilidade.
Mal abrir a porta da sala e ser consumida por beijos. Ter a roupa arrancada no caminho da cozinha. Ser desejada com urgência é um dos maiores elogios que uma mulher pode receber, mas só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? Se o que interessa é a movimentação, tudo bem. Mas se existe a possibilidade de ser esmagada pelo vazio de sentido após o orgasmo, de nada vale. Pelo menos se não vier acompanhado de cuidado, carinho. Pensei, então, que ele seria a pedra fundamental pra despertar meu amor. Mas carinho é um sentimento abrangente demais: nos invade desde a visão de um cachorro abandonado até a palavra confortadora de um desconhecido.
Um dia, cansei de tentar adivinhar. E, nesse dia, após tantas enumerações paralisadoras e neuróticas, descobri. Hoje sei exatamente o que me faz amar um homem: o amor existir.
Quando é necessário justificá-lo, procurá-lo, racionalizá-lo, é sinal de que ele não está ali.
Simples assim.
Assunto: Bom conselho, Nosso louco amor, coisas de mulherzinha, Tudo
5 de Abril, 2008, 3 comentários
Hoje acordei só, e minha casa desmoronava. Foram 2 semanas fora e, ao voltar, descobri água aparecendo misteriosamente no chão da cozinha e ao lado da privada, a torradeira não funcionava, o estabilizador queimou, a torneira do chuveiro decidiu não fechar mais – sabe quando você gira a torneira ao máximo e, ao invés de travar, ela gira de novo?
Xinguei o mundo, respirei fundo, xinguei a mim mesma e acreditei fortemente que era tudo culpa minha: minha tristeza com suas vibrações ruins destruindo tudo a minha volta, só para me lembrar novamente: estou só, me sinto só, e vou precisar consertar tudo só.
Houve um tempo em que minha casa funcionava magicamente, ininterruptamente. Se uma lâmpada queimava, era só dizer ‘a lâmpada queimou’, e ao voltar pra casa mais tarde ela acendia novamente. Vai ver meus pais emanavam energia melhor que a minha e por isso aquela casa sempre funcionava. Depois fui agraciada temporariamente pela dádiva da casa perfeita dos arquitetos. Talvez eles saibam construi-la, mas escondem esse segredo somente pra si enquanto exploram nossa ignorância de meros mortais. Quem sabe desfrutei da sorte por tanto tempo, que agora estou fadada à uma vida de vazamentos, entupimentos e infiltrações.
Elza - sempre ela - chegou pra me socorrer e me lembrar que não estou tão só assim. Essa moça que limpa minha casa, organiza minhas bijuterias, arruma minhas roupas por cor e por altura nos cabides, parece saber de tudo. Rapidamente me fez fechar o registro d’água, de cuja existência eu já havia esquecido, e identificou a causa de um dos principais problemas: o encanamento estava repleto da minha ex-cabeleira dos últimos anos. Era tanto cabelo que dava pra fazer uma peruca, e aquele emaranhado ensebado ocasionou meu primeiro sorriso do dia: ‘é a prova de que eu me renovo’.
Muito cabelo depois, ainda haviam sinais de entupimento. Madame Elza me pediu um arame maior. Deve haver mais cabelo ao longo da tubulação – ela disse. Eu, que mal sabia que havia um arame menor na minha casa, lembrei da lojinha ao lado do meu prédio. Um cubículo cheio de objetos não identificados pendurados. Lá fui eu.
Expliquei tudo pro moço escondido atrás daqueles objetos estranhos, e descobri o homem dono de todas as respostas:
“Pra torradeira funcionar, basta trocar o fuzível do estabilizador. Se quiser, traz aqui que eu troco pra você. Já no caso da torneira, você vai precisar de uma chave de grife para abrir e trocar o eixo rotatório que deve estar gasto. Melhor você trazer ele aqui antes para eu ver o diâmetro e te dar outro que encaixe. Compra também soda caústica, e se o arame não der jeito, joga um pouco que ela acaba com tudo no caminho.”
Chave de grife? Eixo rotatório? Onde essas pessoas aprendem isso tudo? E até hoje eu tinha medo de soda cáustica, e jamais compraria pra minha casa. Tantas respostas depois que me deixaram mais feliz, vejo o rosto do moço quando ele veio receber o dinheiro:
“Sabe que, em tanto tempo que você mora aí do lado e eu te vejo ir e vir, é a primeira vez que te vejo sorrindo?”
Jura? Meu deus, será que sou tão mal-humorada assim? Me desculpe. Tá bom, sorrio mais, tá bom assim?
Com tanto sorriso, levei de brinde a chave de grife emprestada para tentar tirar o tal do eixo rotatório, após muitas instruções. Mas isso é coisa pra homem. Eu não tenho força. Nem Elza.
Eu sinto falta de alguém pra amar, pra cuidar, pra andar ao meu lado, dividir a vida, ir ao cinema, beijar e transar. E pra fazer por mim tudo aquilo que eu mesma odeio (ou não sei) fazer: resolver problemas mundanos de casa inclusive. Ter alguém que me completa tomou outro significado, mais real, mais palpável, mais terrestre. Acho que é disso que eu preciso.
Amanhã, o moço vem com sua chave de grife arrancar meu eixo rotatório, trocar por um novo e me permitir tomar um banho em paz. Periga eu pedi-lo em casamento. É bom ter cuidado.
Por Claire.
Assunto: Vida nova, coisas de mulherzinha
10 de Fevereiro, 2008, Comente »
Carmen sempre foi Carmen e Eduardo era Eduardo, as vezes Duda, talvez Dudu. Se encontraram, e Carmen virou “Carmencita de mi corazón”, Carmencita, Sita, e não demorou muito para metamorfosearem-se em Sitos – praticamente uma espécie a parte que, como qualquer outra, prolifera-se. E o mundo tornou-se habitat natural para duas novas, pequenas e fofas Sitas.
Bruno vagava Bruno por aí até encontrar Fernanda, que era Fê e também Nanda. Não se sabe bem como ou porquê, mas foram criando um jeito próprio de ser dois e de ser um, até virarem Sr. Búco e Sra. Búca – o único casal Búco de que se tem notícia, inimitável e incomparável.
Alexandre e Alessandra se conheciam desde sempre, mas só quando começaram a namorar viraram Pititicos, depois Piticos e finalmente Pit – o amor aumenta e a preguiça também. E pela harmonia desses dois, acho que ainda viram somente P, e depois… Bem, talvez voltem a Pititicos e começem tudo de novo, só pelo gosto de apaixonarem-se mais uma vez.
Diana e Wagner, vez ou outra, incorporam Betsy e Johnny - apaixonados amantes de alcova que adoram brincar de pirulito-que-bate-bate, outra criação a dois. No entanto, há que tomar-se cuidado com apelidos de alcova. Se no amor e entre quatro paredes, nada é brega e o ridículo não existe, quando tornados públicos apelidos como Beicinho de flamboesa, Biquinho de côco ou Moranguito-vermelhitito podem virar motivo de chacota nas rodas de amigos. Ainda assim, vale a pena. É preciso saber rir de si mesmo.
O casal Léo e Dani sabe bem disso e, apesar de serem Dani e Léo na maior parte do tempo, volta e meia são também Patetas um do outro – rindo cada um de si mesmo, mas ainda mais um do outro. Talvez seja esse o segredo, e acredito que Letícia e Bernardo apostaram na mesma fórmula ao descobrirem-se os Bizungos – apelido um tanto estranho para um casal cheio de graça e um tanto mais apaixonado. Outra prova de que amor e bom humor combinam são os já 33 anos em que Dora é a Madame - ora entre risos, ora com uma pontada de irritação - de seu eterno amor Wan. E amor que é amor de verdade sempre irrita, se não hoje, certamente depois de mais de três décadas.
São muitos os amores que adoram criar moda, mas não deixemos de lado os que optam pelo simples, e nem por isso amam menos. No caso de Andreas e Aline, casal franco-brasileiro nascido em terras britânicas, as circunstâncias ajudaram e tornaram-se simplesmente Namorada e Petit Ami, só porque acham um charme o sotaque um do outro. Já Érica, Sabrina, Denise, Viviane e tantas outras são Paixão, Amor, Mô, Môzinho, Bem ou Bemzinho, provando que nem sempre é preciso ser excêntrico ou original - o olhar, o tom de voz, o charme e a sinceridade do chamar de seus Marcos, Pedro, Renato e André são mais que suficientes para torná-los únicos, especiais e perfeitamente simplórios.
Simples e minimalistas, Isabela vira Lindinha, Juliana é Juzinha, Mariana adora ser Marizinha e Eduarda há muito é Dudinha. E parece que, se para as mulheres um bom diminutivo é sempre mais, entre os homens o negócio é mesmo o bom e velho superlativo. Walter chama minha-lindinha-bonitinha-e-gostosinha só pra ouvir de volta o meu-lindão-bonitão-e-gostosão. Rafael, do alto de seus 1.95m de altura, sempre se soube grande, mas sente-se um gigante com super poderes a cada vez que ouve sua esposa chamá-lo “Meu Grandão” – nem tão original mas não menos perfeito. Marcelo vira um orgulhoso Celão, Rodrigo transforma-se em um viril Digão, Alberto adora ser ‘meu Betão’ e até Ricardo vira Ricardão.
Originais ou não, excêntricos ou nem tanto, fato incontestável é que os apelidos e brincadeiras fazem parte do universo particular, paralelo e alheio ao redor que cada casal cria pra si. Que o mundo seja cada vez mais preenchido por esses pequenos universos, e que sejam todos exagerados, cafonas, bregas, piegas, melosos, carentes de vergonha, transbordados de amor e sem a mínima intenção de fazer sentido. Sejamos todos felizes.
Por Claire.
Assunto: Nosso louco amor
21 de Janeiro, 2008, 11 comentários
Eles formaram par na quadrilha da 4ª série. Duas décadas depois, sem os quadriculados, se reencontraram na festa de ex-alunos. Ele a reconheceu, ela teve que pensar mais um pouco. Foto pra lá, risadas pra cá, decidiram encontrar-se novamente, resgatar a amizade infantil e relembrar bons momentos. Um chopp, um boliche, os dois solteiros. Outro chopp, longos papos no MSN, coração batendo forte ao ouvir o telefone tocar.
Ele disse que nunca havia se apaixonado assim, platonicamente. Ela achou a declaração linda. Marcaram de se ver novamente. Se beijaram, para logo em seguida ela ouvir: “Quer namorar comigo?”.
Repensei minha vida, e nunca foi pedida em namoro. Simplesmente namorei. Saí em missão-enquete e confirmei: não sou a única. Encontrei várias outras mulheres que nunca ouviram o ‘quer namorar comigo?’. Triste constatação.
Dias mais românticos virão, dias mais românticos virão, dias mais românticos virão. Vamos repetir como um mantra.
E o casal da historinha fofa planeja uma nova quadrilha para celebrarem seu reencontro.
Por Claire.
Assunto: coisas de mulherzinha
11 de Dezembro, 2007, 7 comentários
Toda mulher deveria ter vários amigos do sexo oposto. Bons amigos, vez ou outra, abrem portas para o entendimento do universo nada complexo masculino.
Dia desses, conversava com um amigo – estilo ‘bom-partido-genro-que-mamãe-sempre-sonhou’ - quando uma mulher o liga. Ele olha, pensa, decide não atender. Ela já havia ligado naquela semana, já haviam se falado. Saíram no final de semana anterior, ele não estava muito interessado e ela, ao que tudo indicava, havia se interessado.
Esse amigo tem uma frase bastante interessante: “Trato toda mulher que está comigo como se fosse a mulher da minha vida”. É praticamente uma filosofia de vida, afinal se ela o atraiu de alguma forma certamente merece ser bem tratada. Os bons tratos, neste caso, incluíram oferecer uma escova de dentes pela manhã além de servir café da manhã na varanda com direito a linda vista de sua casa, entre outros detalhes. O rapaz é um verdadeiro cavalheiro.
Eu, num ímpeto de defender a classe feminina, dizia: “mas você deu todos os sinais de que estava interessado! Depois de escova de dente e café da manhã servido na varanda, ela deve ter concluído que você estava apaixonado! E agora a pobre-coitada está sem entender nada…”
Ele, sem se abalar, descreve sua interpretação dos fatos. Admite que a tratou muito bem, mas afinal porque a trataria mal? A escova de dentes ele ofereceu por educação – costuma ter algumas escovas no armário para visitas, e a mulher viu o estoque de escovas (claro indício de que não é um tratamento especial). A varanda é seu lugar preferido na casa, alugou o apartamento por causa dela, então porque não usá-la? E o café da manhã não passou de um pão com requeijão e um cafézinho. Coisa rotineira pra ele. Em momento algum, falou em se verem novamente. Pelo contrário, deu sinais de que nos próximos finais de semana já tinha programação, e não chegou a convidá-la. Ele a levou em casa, despediu-se com um beijinho, e pronto.
No dia seguinte, ele pensava se queria ou não encontrá-la novamente. Enquanto isso, achou melhor não ligar. Já ela, segundo o raciocínio dele (e eu tenho que concordar!), foi contar as amigas sobre sua noite: ‘Deve ter destacado o café da manhã e a escova de dentes, e omitido todos os sinais contrários a minha suposta paixão’. As amigas, acostumadas a serem mal tratadas pela macharada desse Brasil, concluem rapidamente que ele deve ter ficado amarradão. De tanto falarem, ela que já desconfiava, resolve ter certeza. E aí, coloca tudo por água abaixo, quando resolve procurá-lo e procurá-lo de novo. Ele, que estava em dúvida, desanima de vez.
Depois dessa conversa, e sem analisar o emocional do rapaz, cheguei a algumas conclusões:
Por Claire.
Assunto: Bom conselho
24 de Novembro, 2007, 6 comentários
“… Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta feridaaaa…”
Já dizia Ivan Lins. E nossas avós e bisavós e tataravós.
Quero convidá-las, amigas calcinhas leitoras, a contar suas pequenas loucuras por amor ou mesmo por uma paixão. Quem nunca se viu em uma situação esdrúxula e perguntou-se: “como eu vim parar aqui?”, para logo em seguida suspirar: “ah, o amor…”
Pra esquentar a brincadeira, vou listar aqui algumas situações que já observei ou mesmo vivi:
Ah, l’amour… Tão lindo e tão enlouquecedor de mentes
Estou esperando novas histórias!!
Por Claire.
Assunto: Trilha Sonora, Nosso louco amor
19 de Novembro, 2007, 2 comentários
Hoje fiquei sabendo de mais um casamento que foi para as cucuias. É a sétima separação que fico sabendo nesse ano. Esse foi um casamento com linda festa e alguns anos de união, que acabaram na tristeza da separação e na sensação do sonho ter virado pesadelo. Comecei a pensar no que é casamento para mim e, estando casada, é um pouco mais tranqüilo dissertar sobre. Coincidentemente, recebi por e-mail um artigo do Stephen Kanitz , administrador e articulista que sempre escreve sobre casamento. Não deixo de sentir uma tristeza profundíssima ao ouvir - Estou me separando - e sempre tenho vontade de puxar a pessoa, dar um chacoalhão e dizer: - Ainda não! Tenta de novo! - Mas é que nem todo mundo quando se casa estabelece um pacto de verdade. Um pacto contratual não só no papel, não só na igreja, mas de ideais sobre o futuro. Esse pacto é no fundo como se você dissesse: Olha só, você é uma pessoa que eu admiro demais, nossos valores são os mesmos, você parece me amar também muito e eu me cansei dessa vida de meu deus. Por isso, eu prometo que estarei com você, em todos os momentos, te apoiando e te amando e espero o mesmo de você. E pode confiar em mim, não vou deixar que a nossa relação fique frágil ou se desestabilize. E espero o mesmo de você. Eu sei que vou encontrar pela vida inúmeros caras interessantes e bacanas mas, mesmo assim, meu compromisso é com você, e para que ele continue se mantendo forte, não poderei vacilar, caso contrário nossa confiança não será mais a mesma. E espero também isso de você. E ponto. Esse é o contrato. E é preciso que se estabeleça esse nível de compromisso desde o início, entre ambos, se seu sonho é ter vida longa no relacionamento com alguém e vida longa, lê-se, para sempre. O que acontece é que, se alguma parte do contrato falha ou não se cumpre, é muito mais difícil recomeçar. Daí então um novo pacto deve se firmar. Mas, como alguém provavelmente já saiu machucado, a primeira reação é abandonar o barco e querer começar de novo, sozinho ou com outra pessoa. E, lá no fundo do machucado, existe a sensação que já não há porque sustentar um contrato de casamento que tinha lá atrás como objetivo resumido o amor incondicional. As condições apareceram e, a partir delas, as insatisfações. É por isso que os casamentos acabam. Por isso eu diria que, antes de acabar com um casamento, vale rever o dia em que resolveu firmar esse “contrato” com a pessoa amada, ainda que não no papel mas espiritual, já que foi alguém que você escolheu na vida, ao contrário dos nossos filhos e nossos pais que amamos incondicionalmente porque aprendemos assim desde o começo. Esse foi alguém que você resolveu colocar na sua vida e quis amar desde o início. E, para que dure, assim como o amor de pais e filhos, você deve amar esse alguém sobre todas as coisas e incondicionalmente, sempre, e vice-versa, como reza o pacto.
Mais sobre casamento e separações
Por Pepê
Assunto: Bom conselho
13 de Novembro, 2007, 1 comentário
Depois de um longo e sofrido divórcio por muito tempo eu achei que o meu destino eram relacionamentos um pouquinho complicados. Foquei nos homens na faixa dos quarenta, divorciados e com filhos, mas na maioria das vezes eles eram tão enrolados com as ex-esposas que eu não aguentava. Aqueles que tinham levado um pé na bunda dificilmente iam se recuperar. Tentei os solteirões nos seus trinta e muitos mas como o próprio nome diz, eles querem ser solteirões.
Aí eu resolvi dar um tempo, esquecer um pouco sobre relacionamentos e prestar atenção em mim mesma. Retomar hábitos que eu tinha há muito tempo abandonado, dar mais atenção aos amigos, voltar a fazer esportes. Nesta época tive relacionamentos esporádicos, sem muitas cobranças, leves e divertidos. Por certo eu não estava apaixonada mas nunca fechei a porta para pessoas interessantes se aproximarem.
Lá no fundo, eu começei a retomar as esperanças de que eu merecia uma pessoa especial, uma relacionamento que despertasse o meu melhor e não aqueles sentimentos ruins que são bem melhores quando estão adormecidos. Eu nunca acreditei muito de que os opostos se atraem,tem que ter afinidades e principalmente uma visão em conjunto da onde estar daqui a vinte, trinta anos.
Até que eu conheci uma pessoa, que se joga de cabeça como eu, que é sincero, doce e que é tão pão duro quanto eu. Com ele descobri que quem se esconde muitas vezes na caverna sou eu e com jeitinho ele vem me resgatar. Ele entende o fato de que eu preciso muitas vezes estar rodeado de gente querida. Interessante ver que ele tem muita mais paciência do que eu. Ele entende que eu ainda estou vencendo umas inseguranças do passado. Eu encontrei a pessoa que eu quero envelhecer junto.
Não, não precisa ser aos trancos e barrancos mas precisa ter força para terminar um relacionamento que não te faz bem ou admitir que aquela pessoa simplesmente não gosta de vocé, mesmo você sendo legal,linda e inteligente. Vale a pena!
Por Peach
Assunto: Bom conselho, Girl Power
5 de Novembro, 2007, 4 comentários
Minha querida calcinha-cultural Laís, inspirada pelo filme, andou escrevendo sobre o passado. Marimari, a secretária-do-lar mais cool dessa tal de internet andou se inspirando em Chico, e a desordem de seu armário embutido, para dar valiosas dicas sobre cabides. Elas não sabem (ainda), mas juntas criaram um ambiente que fez com que me fosse impossível não escrever esse artigo.
Eu explico. Em um passado que, ora me parecia tão distante, meu vestido era abraçado por um paletó, felizes na desordem do armário embutido. Criaram juntos sua história, até que chegou a hora de uma inevitável separação. Chico Buarque parecia estar nos assistindo sorrateiramente quando escreveu a letra de “Eu te amo”. Foram dias sofridos. Passaram-se entre conversas recheadas de boas lembranças, momentos de ‘luto’ pelo fim do que parecia tão belo, e seguidas frustradas tentativas de reconciliação. A cada frustração, uma nova mágoa, um pouco mais da certeza de que foi bom enquanto durou, mas já não era mais a mesma coisa. Não valia mais a pena lutar, e mágoas foram guardadas, palavras não foram ditas, e mentiras sinceras interessavam.
Passou-se o tempo. A história de amor e separação parecia ter ficado no passado, dando espaço para um presente de muito carinho e amizade. Seguíamos caminhos diferentes, mas ainda confiávamos, vez ou outra, nossos olhos e pernas um ao outro, perguntando para onde ir, e como ir. Havia um laço que não queríamos romper, insistiamos em mantê-lo mesmo que cada vez mais fraco, pois nos trazia uma sensação de segurança e conforto. Até que o passado voltou à tona, de forma arrebatora, despertado por um ato aparentemente inofensivo. Palavras guardadas foram ditas, as mentiras sinceras foram questionadas, feridas foram re-abertas. O passado não parecia mais tão passado assim, e engolia o presente. Com a explosão, o fraco laço finalmente rompeu-se. Mas de forma abrupta e dolorida.
O passado não some, não desliga, não desaparece, mas passa – mesmo que devagar. E ao passar deve ter como destino final um remoto cantinho do novo armário embutido, como um sachê. Você sabe que ele está ali, sente seu cheiro predominante, carrega um pouco consigo em suas roupas, faz do agradável odor sua inspiração para um novo dia. Outros dias. E tantos dias depois, aquele odor já não será mais tão perceptível, estará misturado a outros novos odores, novas inspirações, novos pedacinhos de passado deixados ali.
O importante é que cada parte do nosso passado seja empacotada em um único sachê que, no momento certo, terá sua fita cortada e laçada. É impossível recomeçar do zero, os odores se misturam. Mas cada sachê pode ser iniciado após o outro, sem riscos de nos sentirmos subitamente inebriados por um odor predominante e reincidente, ainda solto por aí. E no futuro, quem sabe novos laços possam formar-se entre quase inodoros sachês do remoto passado.
Finalmente, cortei a fita e dei o laço final em um sachê que teimava em permanecer entre-aberto. E agora, me sinto preenchendo em paz um único sachê aberto, mesmo que ainda sob a influência do cada vez mais suave odor anterior.
E Papo Calcinha também é auto-terapia. Que nossos armários embutidos se encham de sachês, completos e indivisíveis, e que o odor final seja cada vez mais agradável.
Deixo vocês com a letra de Chico - esse homem dotado de indescritível talento para transformar em lindos versos os mais confusos tormentos e alegrias de nossa’lma humana, além de dono de grande charme
‘Eu te amo’ – Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nas travessuras das noites eternas,
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas suas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás me fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir
Por Claire.
Assunto: Trilha Sonora, Bom conselho