O mal da perfeição
20 de agosto 2007 , por Anônimo , 5 Comentários“Aceitar que relacionamentos sempre incluem dor e sofrimento é a chave para um casamento feliz, segundo um estudo publicado na Revista de Terapia de Casal e de Família, nos Estados Unidos.
Os professores da Universidade do Estado da Califórnia Diane Gehart e Eric McCollum dizem que os contos de fada e histórias de amor atuais criam uma ilusão de que é possível viver um “relacionamento perfeito”, o que torna ainda mais difícil lidar com os problemas do dia-a-dia.
“Nossa cultura perpetua o mito de que, com esforço suficiente, podemos atingir um estado sem sofrimento”, diz a pesquisa.”
Este trecho é parte de uma notícia publicada há um tempo atrás no Globo online. Na época guardei a notícia por que me identifiquei com a pesquisa. Atualmente, a eterna busca pela perfeição é algo que me irrita.
A gente tem que ser o tempo todo feliz, malhado, bonito, inteligente, bem-sucedido. É tanta coisa que parece que nem sobra espaço para sermos simplesmente humanos. Defeitos são inaceitáveis. A coisa está ficando tão ridícula que frequentemente ouvimos frases como: “Meu problema é que sou muito bonita” ou “Eu sou inteligente demais”. O que isso quer dizer? Essa pessoa é tão perfeita que seu defeito é ser perfeita demais?
É só parar, respirar um pouco, dar um passo para trás e observar todo o quadro. Estamos sempre tentando parecer alguma coisa. Parecer que estamos felizes mesmo quando nos sentimos sozinhas. Parecer que estamos quase ricos, mesmo quando a conta já está no vermelho. Parecer que temos o casamento perfeito, mesmo que tal coisa não exista.
Hoje eu me dou conta que o que me faz estar casada até hoje é o fato do meu marido conhecer meus defeitos e saber lidar com eles. Sejamos bem pragmáticos neste caso. Eu conheço minha qualidades e todos os namorados que tive me amaram por causa delas. Mas todos foram embora por causa dos meus defeitos. O único que ficou, conheçe meus defeitos tão bem quanto os outros. Mas ele não foi embora por causa deles. Ele me ama exatamente por que sou imperfeita. E é por isso, que hoje eu o amo muito mais do que amei os outros.
Talvez o que me irrite tanto na moderna mania de perfeição, é que a perfeição não deixa espaço para o crescimento, para a melhoria. Quando você é plenamente feliz, 100% do tempo,não tem razão para lutar pela felicidade. E isso não parece muito triste? O melhor de amar uma pessoa imperfeita e ter um relacionamento imperfeito é saber que todo dia a pessoa pode te surpreender e o relacionamento pode melhorar. O melhor da vida é o caminho, o destino é só consequência da caminhada.
Então, se o sofrimento é a chave para um casamento feliz, abraçe os seus defeitos e os do seu parceiro. Celebre as imperfeições do seu relacionamento. Tudo isso são oportunidades para melhorar. E lembre-se que o primeiro passo para a felicidade é admitir que, volta e meia, você vai ter que sofrer.
Por Charlotte
RSS Papo Calcinha


é isso aí! E vc revelou o sucesso dos casamentos!
bem legal seu texto!
Gostei da tua filosofia de aceitar a tristeza como parte da vida e de estar preparada para as inevitáveis futuras. Gostei mais ainda de você ver a tão almejada felicidade como algo que faz parte de todo ser humano e que ela não é um objeto concreto e nem “abstrato”, mas sim um sonho da alma que (creio que o maior dos homens) se vivencia acordado em pequenas doses. Pequenas doses, exporadicamente! Porque se as doses fossem grandes, a felicidade não teria imenso valor(mais do que o amor). Seria um tédio ser feliz o tempo todo. Na verdade a felicidade não existiria se não existisse a tristeza. Viva a felicidade! E viva a tristeza! E viva a vida! Viva eu, viva você, viva tudo! Viva! Viva!
Quem quiser entrar em contato comigo me mande algo no email:raulfil@ibest.com.br
bacaníssimo! é a pura verdade, a civilização do prosac tem que entender que rir e chorar é do ser humano..
muito bem dito Charlotte.
que sejamos todas imperfeitas e felizes.
amei!