Ainda encontro a fórmula do amor!

Casinho passado é casinho relembrado

17 de junho 2007 , por Anônimo , 4 Comentários

Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo reeeeeiiii…
O bom dos casinhos passados é que, quando o tempo passa, você acaba se lembrando deles com ternura e desprendimento, mesmo que tenha sofrido um pouco ou bastante enquanto vivia o casinho.

Uma vez conheci um casinho muito inteligente, engraçado, gente boa e boêmio como eu, e a história até que durou, dadas as proporções que o esquema casinho circuito-mambembe-forasteiro oferece: muitas idas e vindas, dias juntos e dias separados, noites varadas alternando as casas, ligações no meio da madrugada, tudo isso regado a bebida, sem ninguém falar de compromisso e sem querer se apegar muito.

O começo foi bacana! O primeiro beijo numa praia, um céu maravilhoso com direito a filosofias existencialistas à beira-mar. Tempos depois, voltamos a nos ver na cidade sem muito porquê, acabavam acontecendo afinidades e mesmo sem ficarmos amigos, sem dizer verdades e sem ser tão sincero, havia a vontade de passar o tempo junto, sempre respeitando o esquema casinho circuito-mambembe-forasteiro. Acontece que o dito tinha e não tinha uma namorada, era algo difícil de se entender – e nem sei se eu queria muito entender.

Mas com o passar do tempo comecei a gostar do casinho, e queria era ficar com ele, era realmente adorável: conversa, caminhadas, música, sexo, e cheiro – ele tinha um cheiro próprio sem artifícios muito bom!

O casinho não me quis, então parti meu coração e sofri. Eu queria ir um pouco além do que tinha, mesmo sem saber o que queria. Acho que queria um namorado mesmo, usar a nomenclatura, ter a companhia permanente e tudo o mais. Não queria mais ser meio alguém na casa de outro, não tinha mais paciência para emoções flutuantes, não gostava da idéia da namorada fantasma.

Dispensei o casinho, com rancor de não querer nem ser amigo, já que não entendia como podia surgir uma amizade de algo que nunca foi uma amizade. Mandei um e-mail longo fechando a porta com ele, dizendo tudo o que sentia e estava pronta para viver novas emoções.

Também disse que não havia como surgir uma amizade feita em cima do nada, que o que tinhamos nunca tinha sido uma história completa, era sempre tudo pela metade, e não havíamos nos conhecido através de uma amizade, queria só distância. Ainda fechei o e-mail dizendo que, se ele quisesse minha amizade, que batalhasse por ela, porque ele nunca fazia mesmo muita força e questão de saber como eu estava, o que ocorria na minha vida, minhas histórias e problemas… E isso era verdade! Quando cai a ficha é um sofrimento… Acho que mandei bem.

Muito tempo depois, naturalmente, ele me procurou algumas vezes para conversarmos sobre as afinidades que haviam ficado, gostos e informações, com iniciativa de um casinho do passado que quer se tornar amigo. Hoje vejo que, no final das contas, acho que tivemos, ao nosso modo, uma história completa sim, e não sei que tipo de outra história poderia ter sido. Foi única e singular como toda boa história de um casinho, com começo, meio e fim e ainda com requintes de noites varadas em circuito-mambembe-forasteiro. Somos amigos ao nosso modo e, sim, penso nele com ternura.

Por isso se você vive hoje um casinho circuito-mamembe-forasteiro e não sabe muito onde isso vai dar, compre uma mochila e carregue bem a necessaire. Não pense, viva! Até onde estiver a fim. No final de tudo, vocês vão ter tido uma história e tanto, seja lá como for, única e memorável.

Por Pepê

Publicado em 17 de junho 2007 às 7:00 PM na categoria Memory Lane, Nosso louco amor. Você pode acompanhar as respostas a este post através de nosso feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou colocar um trackback no seu site.

4 Comentários to “Casinho passado é casinho relembrado”

  • [...] Others trips down memory lane: Não tem explicação por Claire Casinho passado é casinho relembrado por Pepê [...]

  • Deise disse:

    Pepê: o melhor da vida é aproveitar muitos casinhos, pra depois dar ainda mais valor qndo encontramos aquele que nos quer o tempo todo ao lado dele. claro q vc`s viveram uma história completa – quem foi q disse q pra ser história tem q ser namoro, com pedido oficial e apresentação a família? é se relacionando que a gente aprende nessa vida, sobre nós e sobre o que queremos. Isso sem contar que é sempre gostoso e a gente tá aqui pra ter prazer na vida, né? claro que o durante é mais complicado q o depois – qndo (como vc mesma disse) olhamos pra tudo com desprendimento. e o casinho da história aí curtiu o post, o que só mostra que, carinho por vc ele alimenta tb.
    e vivam os casinhos-mambembes-forasteiros! (adorei a expressão!!)
    beijocas

  • simoni disse:

    Quem me mostrou o texto acima foi o casinho em pessoa!!!! Ele me disse: olha que legal que uma mina que eu fiquei escreveu sobre mim.
    Eu li o texto e me identifiquei bastante…ja passei por isso umas vezes mas a pior foi exatamente com o amigo do “casinho”…O bom foi saber que o cara se lembra, se importa, curtiu na hora e ainda curte lembrar hoje. Acho que os meus casinhos devem sentir isso tb…né?

  • Mabel disse:

    às vezes é bem difícil viver um dia depois do outro, né? nunca fui disso, mas to treinando muito e já dei uns escorregões. mas ainda to no jogo. firme e forte! adorei!

Comentários