Não tem explicação
22 de junho 2007 , por Anônimo , 6 ComentáriosOs dois se conheceram ainda na faculdade. Sem querer, se conheceram e se olharam. Não se viram mais. Ele conseguiu seu telefone, ela não entendeu como. Conversaram, riram, se encontraram. Conversaram mais, riram mais, se beijaram. E saíram de novo.
Ele a procurava, ligava, encontrava. Ela se apaixonou. Logo, descobriu que havia uma namorada, e não era ela. Ele não negou. E nada prometeu. Ela jurou não vê-lo mais.
Ele procurou, ligou, pediu. Nada prometia, mas queria vê-la novamente. Ela cedeu. Continuava apaixonada. Ele ligava diariamente, era atencioso, carinhoso, até presente de dia dos namorados ela ganhou. Dirigia kilômetros só para vê-la. Mas nada prometia. Diariamente, ela prometia a si mesma que ia acabar com tudo. Acabou por entregar-lhe sua virgindade.
Ela, inundada da mais jovem ingenuidade, sonhava com o dia em que ele lhe diria que o namoro havia terminado, e que a namorada agora era ela. Ele quis casar-se. Convidou-a para um almoço ? queria que ela soubesse por ele, e não por outros, que estava noivo. Ela nunca desejou tanto tacar um prato de macarrão na cara de alguém. Controlou-se, mas não devia.
Ela sentiu raiva, muita raiva. Logo depois, apaixonou-se perdidamente por outro. Que também apaixonou-se por ela. Ela estava feliz, esqueceu a raiva. Ele ia casar. Voltou a procurá-la, mas para conversar. Viam-se ocasionalmente, e entre um almoço e outro, ficaram amigos. As conversas eram boas, o riso solto, a companhia agradável. Não havia dúvidas de que se identificavam.
Ele casou. Ela estava cada vez mais apaixonada pelo outro. E feliz. Um dia, ele quis mais que uma simples conversa. Ela estremeceu. Havia um magnetismo, o tesão era grande. Ela negou, estava amando e isso era o que mais importava.
Continuaram amigos, mas falavam-se muito eventualmente. Ele casado, ela morando com o outro. Os dois felizes.
Um dia, ela achou que ele chegou bem diferente do seu jeito de sempre chegar. Talvez ela já não estivesse mais tão feliz. Era só um almoço entre amigos. Acabou entre beijos, frio na barriga e tremor nas pernas. Apaixonaram-se. Novamente. Ela não sabia o que fazer. Tentou resistir, mas cedeu. Arrependeu-se. Não queria magoar seu amado. Mas definitivamente já não estava mais tão feliz.
E mais uma vez, os dois se falavam frequentemente. Ela queria (e jurou) que fosse só amigos. Mas era difícil resistir: o magnestimo era inexplicável. Ela já não sonhava nem queria mais que ele fosse só dela. Ela amava o outro.
Por motivos outros, ela separou-se. Ele a consolou, foi seu amigo. Conversaram, desabafaram, transaram, gozaram. Eram cúmplices, amantes, amigos. Alternavam momentos de amizade e carinho com paixão e ciúmes. Era intenso. Disseram que, em outras circunstâncias, poderiam casar-se. Ele era o homem ideal para ela, não fosse casado e tão canalha. Ela era simplesmente ideal, mas não foi a primeira. Confiavam um ao outro seus segredos, e ainda tentavam ser somente amigos. Ela seguia sua vida, mudava uma penca de coisas, procurava um novo amor. Ele seguia casado, amando sua esposa, constituindo família.
Um belo dia, ele traiu sua confiança de amante-amiga. Ela sentiu-se como qualquer uma das outras com quem, ela sabia, ele se deitava. Ela o odiou. Nunca havia se decepcionado tanto. Ligou, gritou, xingou, apagou seus contatos, lhe desejou o pior e mais uma vez jurou nunca mais sequer falar com ele.
Ele disse não entender o ocorrido, sentiu-se injustiçado. Depois desculpou-se. E desculpou-se novamente. Declarou-se. Disse que a amava, e que tudo não poderia terminar assim. Não queria que ela o odiasse. Ela manteve-se dura, a decepção era grande demais, o ódio estava lá. E ele se desculpava. Admitiu seu erro. O ódio dela transformou-se em raiva. Anos se passaram, e a raiva também.
Eles voltaram a se falar. Virtualmente. A identificação persiste, e eles riem de novo. Revêem o passado, e não tem dúvidas que a relação é especial. Ela confessa que nunca mais será a mesma coisa, mas redescobre que o ama. Mais uma vez, concordam que devem ser só amigos, e que o grande erro foi misturar tesão, sexo e paixão com uma amizade tão bonita e cheia de carinho. Melhor não se encontrarem.
Nos 11 anos que se passaram, ele já despertou nela todos os sentimentos que uma mulher pode sentir. E vice-versa. Talvez eles consigam ser amigos. Talvez não. Talvez se odeiem e se apaixonem novamente. Certamente jamais ficarão juntos.
Há quem não acredite que essa relação é especial. Eu simplesmente acredito que há coisas que não tem explicação, e que é possível amar por caminhos tortos. E vejo os dois, velhinhos com seus outros amores, relembrando cheios de carinho sua história. E desejando que seus filhos e netos tenham, além de seus amores, alguém na vida com quem possam compartilhar uma relação assim tão complicada, mas ao mesmo tempo deliciosa.
Por Claire
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[...] São apenas perguntas, nada mais. Só o tempo poderá respondê-las.Others trips down memory lane: Não tem explicação por Claire Casinho passado é casinho relembrado por [...]
Quem já não viveu uma estória dessas??? ai,ai, esse texto me causou uma espécie de nostalgia.E pensar q vivi nessa mesma época, há exatos 11 anos atrás, uma estória assim, bem parecida mesmo.Mas, nosso fim foi FIM mesmo, por minha parte,mas foi…Que coincidência, né? Vamos aguardar cenas dos próximos capítulos…
beijinhos!
… nooooossa! Eu me vejo neste texto! Tão estranho, tão familiar…
a gente tem essa mania de querer rotular tudo.
tem coisas que simplesmente são, e não precisam de explicação mesmo.
tô no time das que acreditam que a relação é especial, apesar de conturbada, sim!!
É… o amor tem razões que até a razão desconhece
ai que lindo, fiquei arrepiada!!!