Sobre o Papo Calcinha
É mais ou menos assim…
A gente trabalhou na mesma empresa, mas o Rio ficou pequeno e São Paulo virou moradia nova de uma que conheceu a outra numa sessão de terapia por ICQ numa sexta-feira a noite.
Depois de alguns meses fomos trabalhar juntas. Aí surgiu mais outra e viramos três, quatro, grandes amigas que arranjavam sempre motivo para tomar um vinho e falar mal dos homens, do trabalho e das outras-outras.
Um dia ela resolveu chamar uma amiga, da facul, pra participar do Papo, e ela tinha uma cara de nariz empinado, mas se mostrou uma fofa apesar das confusões de nomes que formou.
Um outro dia, a nova resolve levar uma mais nova ainda pro Papo e aí a coisa se descontrolou, porque a mais-nova é uma polemica divisora de águas, e de amizades, mas faz todo mundo rir, então a gente deixou ela ficar no cantinho.
E foi assim.
Entre papos regados a saladas, sopas, pães (a gente malha pra que afinal?), cigarros, fogão sem gás, marido de olho comprido e desfile de calcinhas (as de verdade), o Papo Calcinha virou uma instituição. Um vício.
Que tenta resistir as agendas lotadas, aos notebooks que atrapalham a mesa, a distância saudosa de umas e à entrada de novas-novas (caras de caretas mas adoráveis).
A gente ama beber junto, comer junto, chorar junto, rir junto.
A gente ama dar bronquinhas e conselhos.
A gente ama trocar dicas de gurus.
A gente ama ser radical.
A gente ama cheio de flores.
A gente ama internet.
A gente ama FULL ser mulherzinha.


